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         A série Isso É Coisa Da Minha Cabeça (2017-2019) consistiu em uma instalação, que remetia a uma releitura do meu quarto, adaptada de acordo com as propriedades do lugar expositivo em questão, na qual informações da minha vida pessoal poderiam ser adentradas. Eram dispostas as obras bidimensionais mais recentes, o trabalho Bolsa de Arte, e a minha mochila cotidiana com todos os ítens que nela habitam originalmente: celular, diário, carteira, documentos, livro, computador, tudo desbloqueado e para livre acesso do público à minha eu mais contemporânea possível. Além disso, eram expostos cadernos manufaturados, confeccionados desde o início do percurso até o final, nos quais, sempre através do humor e drama, tanto na escrita (frases curtas e textos breves) quando na visualidade, apresentava situações verídicas, autobiográficas, ordinárias, mas pertinentes em suas razões de serem apresentadas. Tudo isso era disposto em cima do tapete que originalmente ficava no quarto em que eu residia durante essa época, e acomodado em alfomadas de silvertape (material bastante explorado na produção) para que o público se sentisse bem-vindo ao cafofo.

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         Foi uma pesquisa solipcista para não dizer egocêntrica, baseada na legitimação das minhas próprias nóias pseudo-adolescentes, reveladas pela minha supra-honestidade e descontrole, como condições femininas universais. Tendo como ponto de partida a noção do meu constante sofrimento exagerado, como verdadeiro, expressava esta concepção de mundo em diversas mídias. Dentre estas, diários pessoais, frutos de sinceras urgências de uma garota admito mimada, classe-média do Rio de Janeiro que, talvez por excesso de tempo livre sofria visceralmente não de fome ou racismo, mas de amor às condições sociais, relacionamentos amorosos pouco ou nada equilibrados (por vezes abusivos), e inseguranças derivadas do sistema machista que, afinal, oprime a todas as classes.

        O curso da série era tornar o mais público possível, aquilo que fosse o mais pessoal possível. Acreditando que aquilo que transcende o miúdo, abrange o universo inteiro. Sustentando o prazer da alfinetada: a sensação concentrada; dos extremismos que extrapolados evocam a transcendência, como em uma ciranda de alívio. O gozo, o choro, a gargalhada, o espirro. Sensações verticais. E de libertação. Que desembocam na ausência de qualquer coisa que não seja a tensão do mais recente presente. O interesse era pelo íntimo, o espontâneo, o identitário específico. Na última versão apresentada, dispus de todos os diários que fiz dos meus dezoito anos até aquele momento, por trás da defesa social de que O que o Fulano fala do Cicrano, diz mais sobre o Fulano, do que sobre o Cicrano. 

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HOT WHEELS
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